Bernardo Sassetti deixou hoje o mundo dos vivos. De uma forma repentina e chocante para mim e para muita gente. Ele tinha na sua página de facebook uma citação de um poema de Poe, que por acaso conheci há uns dias e que espelha concerteza os sentimentos dos seus entes mais queridos. Aí fica, em jeito de homenagem a um grande músico, compositor e pianista. Fica a obra para o recordar.
Today Bernardo Sassetti has left the world of the living. In a very sudden and chocking way, for me and many others. He had this quotation of a Poe’s poem, that I actually discovered a few days ago and that surely mirrors the feelings of his loved ones. Here it is, as a homage to a great musician, composer and pianist. His work remains so we can remember him.
Então não é que o senhor faleceu hoje e eu já o dava como morto há 1 ano. Aí fica um vídeo para assinalar um artista interessante, mas que eu apenas conheço muito pela rama (falha a colmatar…)
“O Senhor do Adeus”. Era assim que este senhor era conhecido, basicamente em Lisboa e, basicamente, por dizer adeus aos automobilistas que passavam por ele na Praça do Saldanha e no Restelo. Eu, pessoalmente, nunca o vi e só dei por ele por causa do Fernando Alvim e da sua “Prova Oral”, onde após várias referências ao senhor durante as trocas de impressões com ouvintes, finalmente o teve como convidado, mas em vez de o levar ao estúdio, foi ele próprio ter com o Senhor do Adeus - foi de facto uma emissão muito engraçada e mostrava uma pessoa muito equilibrada - ao contrário do que provavelmente muita gente pensava - mas carente de afecto e atenção. No entanto, este senhor - que pode ter todos os defeitos do mundo, como provavelmente até tinha…afinal é um ser humano - escolheu a via da confraternização em vez da via da revolta e da vitimização. Visto que vivia sozinho, sem família, todos os dias se deslocava à Praça do Saldanha e depois ao Restelo (ou vice-versa, não sei bem), para acenar aos que passavam. E acho que esse é o mérito dele, levar um bocadinho mais de amor à relações frias que as pessoas, principalmente da grande cidade de Lisboa, cultivam. Hoje morreu, mas apesar de estar sozinho na vida, não vai ser de certeza esquecido por aqueles que passavam por ele várias vezes por semana. O Alvim escreveu-lhe um obituário que acho que vale a pena ler e se quiserem, oiçam ou voltem a ouvir a emissão com o Senhor do Adeus na Prova Oral. Em cima fica um documentário curto, onde se conhece um pouco mais da vida de um indivíduo que, por incrível que pareça, marcou a vida de muitas pessoas em Lisboa - pode não ter sido uma mossa muito grande, mas ficou lá uma dentadinha de certeza :)