A Momentary Lapse of Reason

Apr 18
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“A poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade.”
“Poetry is the sincere confession of the most intimate thought of an age.”
Antero de Quental (Portuguese Poet)

“A poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade.”
“Poetry is the sincere confession of the most intimate thought of an age.”

Antero de Quental (Portuguese Poet)

Mar 21
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O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…


Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos

Mar 20
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Resposta Ao Tempo
[Composição: Cristóvão Bastos / Aldir Blanc]
Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei
Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri 
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei
E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança 
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança 
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer 
—
cantada por Nana, Simone, Milton & tant@s outr@s…
—
via palavrasdestiladas

Resposta Ao Tempo

[Composição: Cristóvão Bastos / Aldir Blanc]

Batidas na porta da frente é o tempo

Eu bebo um pouquinho pra ter argumento

Mas fico sem jeito, calado, ele ri

Ele zomba do quanto eu chorei

Porque sabe passar e eu não sei

Um dia azul de verão, sinto o vento

Há folhas no meu coração é o tempo

Recordo um amor que perdi, ele ri 

Diz que somos iguais, se eu notei

Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos

Que amores terminam no escuro sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto

Que ele adormece as paixões, eu desperto

E o tempo se rói com inveja de mim

Me vigia querendo aprender

Como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança 

que não soube amadurecer

Eu posso, ele não vai poder me esquecer

No fundo é uma eterna criança 

que não soube amadurecer

Eu posso, ele não vai poder me esquecer 

cantada por Nana, Simone, Milton & tant@s outr@s…

via palavrasdestiladas

(via abrapira)

Mar 10
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[Flash 9 is required to listen to audio.]

imwithkanye:

Alan Rickman | Sonnet 130 

My mistress’ eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips’ red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damask’d, red and white,
But no such roses see I in her cheeks; 
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;
My mistress, when she walks, treads on the ground:
   And yet, by heaven, I think my love as rare
   As any she belied with false compare. 

Mar 08
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dont-save-yourself:

Debo fingir que hay otros. Es mentira.
Sólo tú eres. Tú, mi desventura
Y mi ventura, inagotable y pura.




Tenho de ver se finalmente pego em Jorge Luis Borges…é irresistível…

Jubylee

dont-save-yourself:

Debo fingir que hay otros. Es mentira.

Sólo tú eres. Tú, mi desventura

Y mi ventura, inagotable y pura.



Tenho de ver se finalmente pego em Jorge Luis Borges…é irresistível…

Jubylee

(via zalx)

Feb 22
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abrapira:

nada é impossível de mudar

desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.

e examinai, sobretudo, o que parece habitual

suplicamos expressamente: 
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, 
de confusão organizada, 
de arbitrariedade consciente, 
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural 

nada deve parecer impossível de mudar

do desde menino poeta, Bertolt Brecht

Jan 18
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Lê-se na parede….

De Ramo em Ramo

Não queiras transformar
em nostalgia
o que foi exaltação
em lixo o que foi cristal.
A velhice,
o primeiro sinal
de doença da alma,
às vezes contamina o corpo.
Nenhum pássaro
permite à morte dominar
o azul do seu canto.
Faz como eles: dança de ramo
em ramo.


Eugénio de Andrade in Ofício de Paciência, Fundação Eugénio de Andrade, 1994

From branch to branch

Do not want to tranform
elation into to nostalgia
cristal into to trash.
Old age,
the sickness of the soul
first sign,
sometimes contaminates the body.
No bird
allows death to rule
his blue chant.
Do as it does: dance from branch
to branch


Eugénio de Andrade in Office of Patience, Eugénio de Andrade Foundation, 1994

Dec 26
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[Flash 9 is required to listen to audio.]

Para Viver Um Grande Amor - Vinicius de Moraes

Jubylee

Nov 30
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Jul 31
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The Rhythm Of Time

There’s an inner thing in every man,
Do you know this thing my friend?
It has withstood the blows of a million years,
And will do so to the end.
It was born when time did not exist,
And it grew up out of life,
It cut down evil’s strangling vines,
Like a slashing searing knife.
It lit fires when fires were not,
And burnt the mind of man,
Tempering leadened hearts to steel,
From the time that time began.
It wept by the waters of Babylon,
And when all men were a loss,
It screeched in writhing agony,
And it hung bleeding from the Cross.
It died in Rome by lion and sword,
And in defiant cruel array,
When the deathly word was ‘Spartacus’
Along the Appian Way.
It marched with Wat the Tyler’s poor,
And frightened lord and king,
And it was emblazoned in their deathly stare,
As e’er a living thing.
It smiled in holy innocence,
Before conquistadors of old,
So meek and tame and unaware,
Of the deathly power of gold.
It burst forth through pitiful Paris streets,
And stormed the old Bastille,
And marched upon the serpent’s head,
And crushed it ‘neath its heel.
It died in blood on Buffalo Plains,
And starved by moons of rain,
Its heart was buried in Wounded Knee,
But it will come to rise again.
It screamed aloud by Kerry lakes,
As it was knelt upon the ground,
And it died in great defiance,
As they coldly shot it down.
It is found in every light of hope,
It knows no bounds nor space
It has risen in red and black and white,
It is there in every race.
It lies in the hearts of heroes dead,
It screams in tyrants’ eyes,
It has reached the peak of mountains high,
It comes searing ‘cross the skies.
It lights the dark of this prison cell,
It thunders forth its might,
It is ‘the undauntable thought’, my friend,
That thought that says ‘I’m right!’


Bobby Sands


[ATENÇÃO!!! PODE CONTER SPOILERS]

Ontem descobri Bobby Sands, a propósito do filme “Hunger”, de 2008 e que conta com uma grande interpretação de Michael Fassbender (que ganhou alguns prémios por este trabalho). “Hunger” faz um relato (alguns dizem que é mais emotivo que factual), do final da vida de Bobby Sands, soldado do IRA, preso em Maze Prison, em conjunto com vários outros activistas do IRA. Os prisioneiros estão em protesto (“no wash”) para obterem o estatuto de presos políticos e com isso terem outro tratamento que não o de vulgares prisioneiros. Para conseguir isso Sands inicia uma greve de fome, que levaria por fim à sua morte e à de mais 9 prisioneiros, durante 7 meses. O filme é muito intenso, demonstrando a profunda fé que Bobby Sands tem na causa do IRA e na moralidade da greve de fome para obter o estatuto de prisioneiro político, o qual foi por fim conseguido.Como podem ver neste diálogo - uma grande cena do filme. A única coisa que me deu trabalho foi conseguir perceber aquela pronúncia irlandesa carregada….terrível!



Penso que o filme não se torna parcial no que diz respeito à questão da guerra que existe na Irlanda do Norte, mas tenta dar a conhecer uma pessoa que acreditava que fazer o correcto era a única opção em qualquer momento e circunstância da vida, incluindo dar a vida por uma causa maior.
Esta foi a estreia do realizador inglês, Steve McQueen - uma grande estreia de facto! - que foi também argumentista. Antes de entrar no cinema, McQueen dedicava-se a instalações cinematográficas e à fotografia, tendo ganho vários prémios nessas áreas. De momento tem já um novo projecto completo, “Shame”, que ainda não tem data certa de estreia e que também conta com a presença de Michael Fassbender.
Este filme aguçou ainda mais a minha curiosidade sobre a origem da luta do IRA e em conhecer um pouco mais da história que une Reino Unido e Irlanda. Alguém conhece alguns livros ou documentários bons?

Se estivesse no cinema aconselhava a ir lá pagar o bilhetinho. Sendo assim, quando puderem vejam esta pequena obra de arte, que não se vão arrepender.


Jubylee

Mar 09
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There is a silence where hath been no sound.
There is a silence where no sound may be.
In the cold grave, under the deep deep sea.
— Thomas Hood
Feb 22
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Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

Feb 13
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Oct 17
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Sugestões? Reclamações? Erros de ortografia, semântica e afins? Dois dedos de conversa?<

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